Cena de "Bonitinha, mas Ordinária":
Trecho do filme com José Wilker, Carlos Kroeber e Sônia Oiticica. .
"Você é um ex-contínuo, põe isso na sua cabeça!"
Seria ele um pessimista?
Pessimista, principalmente, quanto às boas intenções de seus personagens. Mas não parava por aí...
Estava sempre dizendo que gostaria de ter sido fiel e que se não foi, o defeito era dele. Vivia saudosista pela Belle èpoque. Se existiu uma época boa, não era a dele. Se a mulher era pura, então era fria. A adúltera ainda era mais pura, porque estava livre do desejo que apodrecia nela (sempre havia o desejo oculto, a insatisfação... E quando buscavam seus desejos de uma forma aberta e direta, terminavam em tragédia), porém, em suas crônicas, ele destacava e percebia a humanidade em alguém, quando todos (a unanimidade da época) viam apenas um rótulo.
Os personagens, por mais que tentassem se salvar e/ou manter uma linha "nobre" de sentimentos, são levados por/contra si mesmos, por suas viciosas motivações de vida, a seus destinos trágicos. Eles possuem um deus bastante severo, que não os perdoa. Por outro lado, por mais sombria que fosse sua personagem, Nelson sempre buscava nela uma humanidade, algo que a tornasse como todos nós. (Como nos "personagens" citados em suas crônicas). Ninguém era ruim o bastante nem bom demais. O canalha rodrigueano de sua obra, muitas vezes, é poético (e em outras, apenas intragável), justamente porque é humano. Claro, não é literalmente da vida como ela é, esse canalha. À sua humanidade é acrescentada uma malandragem bem colorida. Mas vemos nele e em todos os outros uma inegável humanidade. Portanto, concluo que Nelson tinha uma ótica otimista da humanidade. Mas o personagem Nelson, o escritor, possuía uma ótica bastante pessimista. A poesia de Nelson servia como pano de fundo para o "desagradável" mundo rodrigueano. Agora, que ambos são realistas, não resta a menor dúvida.